Enquanto o velório transcorria na Casa de Portugal, tradicional salão de eventos e bailes da cidade de São Paulo, Rodrigo, filho do cantor Roberto Leal, disse que a família achou melhor não contar ao pai a verdade sobre a gravidade do câncer que acometia o artista.

Rodrigo, que também é músico, afirmou que, mesmo quando a doença se alastrou para o fígado, era dito a ele que se tratava apenas de uma pequena mancha no órgão.

Apesar de ser uma maneira de ocultar a verdade, seus familiares mais chegados demonstravam muita preocupação, porque queriam preservar Roberto Leal da real situação de sua Saúde. Eles não suportariam que o cantor desabasse psicologicamente e emocionalmente. O filho de Roberto revelou que o câncer fez com que todos se unissem ainda mais em torno do artista português.

Ele relembra que a atividade fez o pai viver mais, a seguir sempre adiante.

E vai mais além, salienta que a maior formação que Roberto Leal adquiriu foi da vida, pois o cantor não tinha estudo ou diploma universitário.

O pai de Rodrigo é marcado pela alegria e nunca perdeu a vontade de viver. Tais características não desapareceram quando a doença se manifestou. Nem em sua fase mais agressiva Roberto Leal fechou o seu sorriso.

"A gente conseguiu preservá-lo com aquela imagem feliz, bonita, como ele gostaria de ser lembrado.

É um guerreiro!", disse o filho. Em suas palavras, Rodrigo elogia a carreira arriscada de Roberto Leal, o qual apostou na cultura portuguesa para ser bem-sucedido e tornar a Música de sua terra natal conhecida no Brasil.

Chegada, muito trabalho e interesses diversos

Nascido na região de Trás-os-Montes, norte de Portugal, Roberto Leal e sua família (pais e nove irmãos) vieram para o Brasil quando o futuro cantor tinha apenas 11 anos de idade.

Na capital paulista, trabalhou em diversas profissões, como sapateiro, vendedor e feirante. Mas a música o interessava mais. Em 1970, grava seu primeiro disco.

Sua discografia alcança 50 álbuns lançados, sendo que o último trabalho foi em 2016 com o título de "Arrebenta a Festa".

António Joaquim Fernandes (seu nome verdadeiro) vendeu cerca de 17 milhões de discos e conseguiu faturar vários prêmios, como discos de ouro e de platina.

Em 2011, lançou sua autobiografia no Brasil e em Portugal.

Nos últimos tempos, Roberto Leal se direcionou para a política. Participou de comícios e de eleições legislativas em Portugal durante a década de 90 e se candidatou a deputado estadual por São Paulo, entretanto, não obteve os votos necessários para conquistar a cadeira.

Adeus

Roberto Leal morreu aos 67 anos, devido a uma insuficiência hepato-renal originada de um melanoma maligno (câncer de pele). Em certo estágio do câncer, o fígado foi atingido.

Recentemente, submetia-se a tratamentos de radioterapia, cujas consequências afetaram-lhe a visão do olho direito.

O último suspiro foi na madrugada do dia 15 de setembro. Estava internado no Hospital Samaritano, no bairro do Pacaembu, zona oeste de São Paulo. Deixa três filhos e a esposa, Márcia Lúcia, com quem viveu por 45 anos.

Em torno das 13h40, o caixão de Roberto Leal deixou o bairro da Liberdade numa viatura do Corpo de Bombeiros. Presentes na Casa de Portugal soltaram aplausos e cantaram seus maiores sucessos. O descanso final do cantor de voz suave e de personalidade contagiante e magnética aconteceria no Cemitério de Congonhas, zona sul de São Paulo.

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