Nesta última quinta-feira (12), o filme "Marighella" teve sua estreia cancelada pelos seus produtores. Por meio de nota divulgada à imprensa, a produtora O2 Filmes relatou não ter conseguido cumprir a tempo todos os trâmites legais que a Ancine (Agência Nacional do Cinema) exige.

Ainda no mês de agosto, esta que é a primeira produção cinematográfica dirigida pelo renomado ator Wagner Moura, teve dois recursos negados pela agência.

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A Ancine indeferiu análise de ressarcimento de despesas pagas pela O2 Filmes no valor de R$ 1 milhão pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A produção também teve negado o recurso que questionava a possibilidade de a verba para a comercialização do filme poder ter sua liberação antes da assinatura do contrato com a FSA.

A data de estreia do longa-metragem no Brasil estava programada para ocorrer no dia 20 de novembro.

Além de ser o aniversário de morte de Carlos Marighella, neste dia também é comemorado o Dia da Consciência Negra. O filme, até o momento, não tem uma nova data para ser exibido nos cinemas brasileiros.

Suspeitas de censura

Artistas, escritores e políticos acreditam que esta situação confirma as suspeitas de censura e também a suspeita de que houve boicote por parte da agência em meio ao Governo do presidente Jair Bolsonaro.

O escritor e jornalista Mário Magalhães acredita que os constantes contratempos encontrados pela produção, que conta a vida do militante comunista Carlos Marighella, comprovam que uma parte da sociedade não quer ver essa história ser contada.

Mário Magalhães é o escritor do livro biográfico "Marighella - O Homem Que Incendiou o Mundo", usado como base para a realização do filme.

A deputada federal Margarida Salomão (PT), acredita que as imposições da Ancine ao longa-metragem são uma consequência da gestão Jair Bolsonaro sobre a agência.

"Perseguição do governo Bolsonaro", afirmou a deputada.

O coordenador da Frente Povo sem Medo e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, por meio de seu Twitter, relembrou declaração feita pelo presidente em julho, em que dizia: "se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine".

Boulos ironizou a fala de Bolsonaro e deu outro nome para o que o presidente chamou de "filtro", Guilherme Boulos chamou de "censura".

O ex-deputado federal Chico Alencar apontou os prejuízos financeiros que este tipo de problema pode causar, Alencar afirma que Jair Bolsonaro cortou 43% do fundo audiovisual. Ele continua dizendo que o presidente está destruindo um setor altamente lucrativo no Brasil, que movimenta R$ 20 bilhões ao ano e gera mais de 400 mil empregos.

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