O Ministério Público entrou com o pedido de prisão há dois dias (12) no fórum de Abadiânia em Goiás e hoje a Justiça decretou a prisão preventiva de João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus.

Nos últimos dias, o MP reuniu 330 denúncias contra João e em todas elas, certos padrões foram observados: o médium "incorporado" dizia para as visitas procurarem por ele em particular, momento onde praticava os vários atos de abusos sexuais. Esses padrões reforçaram as suspeitas contra o médium.

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O argumento do Ministério Público para o pedido de prisão preventiva enquanto os casos são investigados, se deu porque a Promotoria acredita que João Teixeira de Faria poderia coagir testemunhas a não deporem contra ele, além de fazer novas vítimas caso os "atendimentos espirituais" tivessem continuidade, ou seja, ele apresenta uma ameaça para a sociedade.

Deferindo o pedido do MP, o médium está com prisão preventiva e poderá ser detido a qualquer momento.

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As denúncias

Na sexta-feira passada (7), no Programa do Bial, várias testemunhas falaram abertamente sobre o assédio que tinham vivido nas mãos do líder espiritual. Na ocasião, apenas uma das mulheres aceitou mostrar o rosto. Os casos do programa realmente tinham muito em comum entre si, em todos eles o médium fazia com que a mulher se sentisse escolhida para a cura e quando não conseguia o intento, ameaçava-as de diferentes maneiras, dentre elas com a promessa de que se reagissem da forma que fosse a doença, ou motivo pelo qual tinham procurado ajuda, iria voltar para suas vidas.

A holandesa Zahira Mous disse no programa que sofreu duas agressões sexuais e na segunda, ele a penetrou por trás, dentro do banheiro de frente para o espelho. A moça chegou a dizer que não procurou ajuda porque tinha muito medo de sofrer ataques espirituais, em retaliação, e sua vida se tornar miserável. Zahira procurou o local espiritual em Abadiânia para curar traumas de uma antiga experiência de assédio sexual, no passado.

As defesas apresentadas

Alberto Zacharias Toron, o advogado de João, pediu que o médium permanecesse em liberdade para dar continuidade aos atendimentos que vinham fazendo há 40 anos, ainda que tais assistências fossem filmadas e a presença de policiais no local acontecesse para fiscalizar a Casa Dom Inácio de Loyola, onde o médium trabalhava e para onde voltou no dia 12 proclamando sua inocência e dizendo que isso seria provado pela Justiça.

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A defesa chegou a apresentar a fita onde a filha de João de Deus, que havia feito denúncia de assédio sexual, desmentia o fato. Entretanto, Damares Teixeira revelou recentemente que foi obrigada a desmentir o caso, mas sofreu assédio sexual do pai desde criança.

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