Após receber mais de 300 denúncias de mulheres de todo Brasil sobre supostos abusos sexuais cometidos durante vários anos pelo médium João de Deus, o Ministério Público de Goiás acatou o pedido da justiça e emitiu o decreto de prisão preventiva do espiritualista nesta sexta-feira (14).

João de Deus é suspeito de abusar sexualmente de centenas de vítimas que buscavam tratamento espiritual em busca de cura para os mais diversos males. O médium recebia milhares de pessoas na Casa Dom Inácio de Loyola, que fica localizada na cidade de Abadiâna (GO), a aproximadamente 113 km de Brasília.

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Prisão preventiva de João de Deus é decretada

A Polícia Civil já está nas ruas a procura do médium. O advogado Thales Jayme, que faz parte da equipe de defesa de João de Deus, revelou que está ciente do mandato de prisão, mas que até às 12h30 desta tarde não havia recebido o documento oficial. Jayme também revelou que não sabe do paradeiro de seu cliente.

Os promotores temem que, com o suspeito em liberdade, outras vítimas do médium se sintam ameaçadas e deixem de denunciar os casos de abuso. Até a noite desta quinta-feira (13), mais de 300 denúncias haviam chegado ao MP goiano. O caso está em segredo de justiça para não interferir nas investigações.

Médium alega inocência

João de Deus foi visto pela última vez em Abadiânia, na manhã de quarta-feira (12), quando ele visitou a casa onde recebia as pessoas para o tratamento espiritual. Na ocasião, ele alegou inocência e disse que confiava na justiça de Deus e dos homens, ele ficou poucos minutos na Casa Dom Inácio e desde então não foi mais visto. Funcionários do médium, que o ajudavam nos atendimentos, chegaram a afirmar na quarta-feira que se o médium tivesse o pedido de prisão decretado, pretendia se entregar à Justiça, após negociação dos termos com seu advogado.

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Vítimas afirmam que funcionários sabiam dos abusos cometidos por João de Deus

Uma grande força tarefa foi criada em diversos estados para que as mulheres abusadas pelo médium pudessem realizar as denúncias e prestar depoimento. De acordo com MP de São Paulo, as vítimas que prestaram depoimento alegam que alguns funcionários sabiam e eram coniventes com os abusos sexuais praticados durantes os tratamentos realizados nas sessões espirituais comandadas por João de Deus.

Segundo a promotora Valéria Scarance, as vítimas apontaram quatro funcionários, cujos nomes se repetem nos depoimentos.

O Ministério Público de Goiás já foi informado e tem em mãos a identificação destes funcionários que serão investigados.